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16-06-2012

O não ter em conta o substrato celta do galego-português não só da lugar a erros ao interpretar a orige destas línguas, também da lugar a erros na reconstrução das línguas celtas

Línguas Celtas: as vogais do Escocês

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ALBERTE LAGO VILLAVERDE



O não ter em conta o substrato celta do galego-português não só da lugar a erros ao interpretar a orige destas línguas, também da lugar a erros na reconstrução das línguas celtas.
     

Um exemplo do dito é o que passa coas vogais do gaélico da Escócia. O gaélico tem segundo os livros mais de vinte vogais, cando quitamos os ditongos a cousa queda em dezanove. Estas dezanove incluem uma vogal átona que não tem representação e duas variantes de o e u que se representam como ditongos. As catorze vogais que quedam dividem-se em sete curtas e sete longas que se diferenciam por levar um acento gráfico.      

—Sete vogais? Logo os escoceses diferenciam os ‘e’ e ‘o’ abertos dos fechados?  

—Diferenciam si senhor.    

Exemplos tirados de akerbeltz:    

E curto: fear [fɛr] home/de [dʲe] de.    
E longo: sèimh [ʃɛːv] quedo, calmo/an-dé [əNʲ’dʲeː] onte.    
O curto: Loch [Lɔx] lago (ou lagho)/bog [bog] brando, mole.    
O longo: Tórr [tɔːR] outeiro/ [boː] vaca.    

Compre sinalar que nas vogais curtas não há indicação gráfica de que a pronuncia é diferente. Os falantes deduzem a pronuncia polas consoantes que seguem.    

O caso de tórr é bastante peculiar já que o galego torre, presente numa chea de topónimos, ao vir do latim turris devia-se de pronunciar com o fechada —como di a norma— mas a maioria dos galego-falantes andamos empenhados em pronunciá-lo aberto.    

E tampouco vaiam a pensar que o resto das vogais do gaélico são moi diferentes da pronuncia portuguesa habitual: mesmo há vogais nasalizadas. A diferencia principal são duas vogais que não correspondem cuma letra.    

A primeira pronuncia-se como uma u mas em troques de redondear os lábios hai que sorrir coma um tolo.    

W longo: caora [kɯːrə] ovelha é interessante o parecido com churra. W curto: uisge [ɯʃgʲə] auga, de onde sae a palavra whisky.    

A segunda pronuncia-se como uma o mas sorrindo (neste caso não é coma um tolo)    

ɤ longo: adhbhar [ɤːvər] razão.    
ɤ curto: coille [kɤLʲə] bosque, fraga.    

Isto dá lugar a um cento de complicações na pronuncia já que, por exemplo o irlandês rua pronuncia-se case como rua no galego mentres o escocês ruadh pronuncia-se como Rói mas com ‘o’ longo. As duas palavras significam rojo, roibo ou vermelho.    

O irlandês actual não diferencia entre abertas e fechadas na escrita mas o irlandês varia moito na pronuncia. Por exemplo á pronuncia-se como um ‘o’ longo aberto em vários dialectos, igual que o inglês americano aw. Este é o motivo de que o nome irlandês mais característico Seán (Xoam) soe como /Xoom/ (o aberto) e não como /Xaam/ e que se escreva Shawn em inglês americano.    

O curioso não é isto, o curioso é que para a maioria das gramáticas isto é uma inovação do gaélico de Escócia já que o Gaélico Antigo não diferencia na escrita entre abertas e fechadas. Esto lembra-me a algum idioma que conhezo, só que agora mesmo não sei cal. Resumindo, de crermos a teoria tradicional o galego-português e mais o gaélico da Escócia inventaram de jeito independente o sistema das sete vogais que não existia no latim nem no Gaélico Antigo. Deulles por aí.    

Parece mais singelo supor que há um substrato linguistico comum a ambos territórios. Que, recordemos, compartiram uma mesma cultura arqueológica e uma rede comercial, como mínimo, entre o megalitismo e o Bronze Final.


[19-06-2012] Robert Neal Baxter comentou:


1. O conxunto do sistema fonolóxico das linguas goidélicas, tanto ao nivel dos sistema vocálico como o consonántico, non podería ser máis diferente do galego. The Celtic Languages. Cambridge University Press (que se pode consultar na biblioteca da FFT da Uvigo) dinstingue 11 vogais (non sete) para o escocés moderno, das cales catro son inexistentes en galego (como no resto da linguas romances): /[i e ɛ a o ɔ u ɤ ɯ/.
2. Os sistema do irlandés (/iː/, /ɪ/, /uː/, /ʊ/, /eː/, /ɛ/, /oː/, /ɔ/, /a/, /aː/, /ə/) non coincide co escocés , mais non por iso deixa de estar estreitamente aparentado co escocés (pódese falar dun continuum lingüístico).
3. As vogais / ɯ / non son altamente frecuentes nas linguas do mundo: /ɯ/ aparece en chinés e turco, non aparentados entre si nin co escocés; / ɤ / aparece en chinés e alekano, tampouco aparentados entre si, nin co escocés (nin, obviamente, co galego).
4. O galego mantén o sistema de sete vogais do latín vulgar do que deriva (/i a ɛ e i ɔ o u/). O portugués estándar ten nove vogais (/a ɐ ɛ e i ɔ o u ɨ /) mais está ‘aparentado’ co galego. Hai outras lingua do mundo que teñen sistemas de sete vogais como en galego mais non están nin remotamente aparentadas con el.
5. A evolución da nasalización fonolóxica en portugués, como tamén en francés: a) é inexistente en galego; b) nada ten a ver coas vogais nasais do escocés

[18-06-2012] Xosé Manuel Sánchez Rei comentou:

No libro "Introdución ao latín vulgar", de Veikko Väänänen ou en calquera manual clásico de Lingüística Románica (Posner, Iordan & Manoliu etc.) xa se di que o latín vulgar ou tardío posuía un sistema de sete vogais co punto de articulación como causa dos pares opositivos á volta da abertura (abertas, fechadas, medias abertas e medias fechadas). Desas sete unidades fonemáticas é de onde provén o sistema vocálico galego-portugués, catalán ou español. Esas lecturas aínda se achan nas bibliotecas e librarías...

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