16:26 Xoves, 02 de Outubro de 2014
Terra e Tempo. Dixital Galego de pensamento nacionalista.

05-03-2012

A morte atrozmente ignominiosa que infligiram a Khadafi dá a medida da qualidade moral

Depois da Líbia, a Síria

Valorar (17)

JOAO QUARTIM DE MORAES



Sarkozy, o gnomo maligno francês e seu parceiro britânico Camarão estavam entre os mais exultantes. Graças a sete meses de "bombardeios humanitários", sempre em nome dos "humans rights" e da "democracy", eles deram impulso decisivo à sedição reacionária que derrubou Khadafi e carta branca aos marginais políticos que agora mandam e desmandam na Líbia destroçada. A morte atrozmente ignominiosa que infligiram a Khadafi dá a medida da qualidade moral e do espírito humanitário da tropa mista de mercenários e de fundamentalistas islâmicos a serviço do feudalismo petroleiro árabe e do neocolonialismo do "Ocidente".

A Líbia, sabemos todos, foi apenas o mais recente capítulo da ofensiva neocolonial lançada pelo mesmo "Ocidente" desde que o desaparecimento da "ameaça soviética" permitiu aos valentões do Pentágono, que tinham se acalmado um pouco após a vergonhosa debandada diante dos patriotas vietnamitas, recuperar plena agressividade. Sempre em nome da "democracy" e dos "human rights", dois valores que a propaganda bélica da Otan prostitui cada vez mais descaradamente e que após o esmagamento da Sérvia, do Afeganistão, do Iraque e da Líbia, quer agora "aplicar" na Síria e em seguida no Irã.

Em março de 2003, o jornalista Rui Namorado Rosa lembrando no artigo "As armas de destruição maciça chegam a Bagdá" (publicado em http://resistir.info.) que "durante meses a fio fora-nos anunciado que o mau ditador" (Saddam Hussein) "teria armas perigosíssimas" preparando-nos assim para "aceitar, como o menor dos males, que o bom ditador" (Bush) "fizesse uso das suas", constatava que "agora que bombas e mísseis, as novíssimas armas dos arsenais dos EUA e do Reino Unido, são lançadas sobre Bagdá e outras cidades do Iraque, começou o longamente encenado ato de destruição maciça". Estas foram-nos ditas "inteligentes" (smart), precisas, cirúrgicas, com efeitos "colaterais" mínimos". Mas "os comandantes políticos e militares das forças agressoras não têm pudor em enaltecer o enorme poder destrutivo que estão a pôr ao serviço dos seus planos de guerra. E as imagens aterradoras das noites iraquianas revelam de facto, em vista da cor das explosões, da dimensão e projeção vertical das colunas de poeira e fumo, que estarão a ser utilizadas potentíssimas e inovadoras armas, entre as quais "bombas explosivas de ar-fuel" (FAE), bombas MOAB (Massive Ordnance Air Blast), bombas e mísseis perfurantes e de profundidade, com cargas explosivas de centenas de toneladas equivalentes de TNT, cargas explosivas essas que poderão ser nucleares (mini-nukes)". Em síntese, as únicas armas de "destruição maciça" existentes no Iraque eram as que os bandoleiros anglo-estadunidenses para lá levaram e despejaram em escala genocidas.

Foi baseado em mentiras semelhantes que o rolo compressor da Otan, com a cumplicidade dos sheiks do petróleo, articulou a ofensiva visando a derrubar o presidente Bashar Al Assad. Entretanto, embora tenham feito muitos estragos, os bandos armados que operam a partir da fronteira da Turquia, do Líbano e da Jordânia não lograram avançar além de suas bases iniciais de mobilização. Para dar uma boa empurrada na sedição, o cartel bélico tentou usar o Conselho de Segurança da ONU, como já o fizera com êxito para massacrar a Líbia. Mas a China e a Rússia, que não se assustam com cara feia, vetaram o projeto de resolução contra a Síria, fechando o caminho aos "bombardeios humanitários". O cartel decidiu então apelar para a Assembleia Geral da ONU, onde conseguiu 137 votos a favor de uma "recomendação" facciosa, que atribuiu a responsabilidade pela violência e pelo terrorismo exclusivamente ao governo sírio. Embora não tenha consequência prática, essa resolução confortou os intervencionistas. Houve 12 votos contrários, a começar da China e da Rússia, mas também dos países mais firmes da Alba, além do Irã, da Argélia, do Líbano, da Coréia do Norte. Houve também 17 abstenções, entre as quais a da Índia. A embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Viotti, que engrossou a tropa dos pró-Otan, pretendeu justificar seu voto com a acaciana declaração de que as "violações aos direitos humanos são inaceitáveis, assim como o desrespeito aos princípios democráticos". O princípio é bonito, mas o uso que dele fazem "nossos aliados" da Otan e dos Emirados é muito feio.

A reforma constitucional anunciada há vários meses por Bachar al-Assad foi submetida a referendum no dia 26 de fevereiro. A participação atingiu 57,4% dos eleitores (8,37 milhões num total de 14,58 milhões) e foi aprovada por 89,4% dos votantes. Embora a luta armada desenvolvida pelos sediciosos esteja concentrada em três cidades (Hama, Homs e Idlib), suas ameaças contra quem comparecesse às urnas, além da insegurança generalizada e dos violentos confrontos em curso, explicam em boa medida, a baixa taxa de comparecimento às urnas. As autoridades estadunidenses classificaram o referendum de palhaçada. Coisa séria são as prisões humanitárias de Abou Ghraib, Guantanamo e tantas outras. Sem esquecer os quatro soldados do Pentágono urinando sobre o cadáver de três afegãos...

[Artigo publicado en www.vermelho.org.br ]

[06-03-2012 16:42] Non á guerra, antes e agora comentou:

Lois, afirmar que opoñerse aos bombardeos sobre Libia ou Siria é defender aos seus gobernantes si é atroz e ignominioso. Pregúntome se ti, como o 90% da poboación do Estado español, estaban en contra do ataque ao Iraque e defendías Hussein entón. Vai ti vivir a Guantánamo se che gusta o réxime de Obama.

[05-03-2012 22:45] Lois comentou:

Defender e xustificar a Ghadafi e Al-Assad si que é "atroz e ignominioso", chamar ó Primeiro Ministro Británico "Camarão" unha atrocidade lingüística e dicir que unhas eleccións en Siria nestes momentos son xustas demostran a estupidez máis absoluta. Ler cousas como estas quitanme as ganas de votarlle ó nacionalismo galego, siggo facendo porque penso que a maioría somos demócratas e serios pero as veces plantéxome se é o correcto. Para vostede aparentemente as eleccións en Siria foron xustas, nembargantes Cameron e un neo colonialista asesino. Eu que queres que che diga, prefiro o mundo de Cameron e Obama que o de Al-Assad ou Ghadafi, pero si te prefires, vaite a vivir alí!

Engade o teu comentario:

Os campos marcados con* son obrigatorios.









Aniversario Moncho Reboiras 2014


© Fundación Bautista Álvarez de Estudos Nacionalistas
Terra e Tempo (ISSN 1575-5517)
Avenida de Lugo, 219, 1º, 15703 • Santiago de Compostela • Galiza
981 57 02 65 – info#code#terraetempo#code#com